Pois nada é infinito.
Levamos, na vida, a morte no grito.
A sorte, no altar.
O tempo, na flauta.
Gazeteando finitude.
Pensamos, pois, o fim vencer,
transbordando vida num sopro,
Muitos a esquecer,
Que ao vento se vai a chance,
de em vida não perecer.
Que em um sopro de vida
Não somos tão vivos
Quanto a pensar em limites.
Pois nada é infinito.
Nem viver.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Receita
Uma dose de esquecimento,
Uma pitada de relevância,
Perdão somente um pouco,
Outro tanto de esperança.
Algum sono e inquietação,
Calma, sim, tranquilidade não.
No tempero a paixão
para dar as notas de fundo.
Aguçar o paladar
Para algo menos etéreo, mais profundo.
Da língua o feito inexplicável,
O prato servido, o sabor inigualável,
Grandes fatias densas, aeradas de ilusão.
Na liga, coerência, razão.
Algum sono e inquietação,
Na cobertura algo são.
Uma pitada de relevância,
Perdão somente um pouco,
Outro tanto de esperança.
Algum sono e inquietação,
Calma, sim, tranquilidade não.
No tempero a paixão
para dar as notas de fundo.
Aguçar o paladar
Para algo menos etéreo, mais profundo.
Da língua o feito inexplicável,
O prato servido, o sabor inigualável,
Grandes fatias densas, aeradas de ilusão.
Na liga, coerência, razão.
Algum sono e inquietação,
Na cobertura algo são.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
mentiras poéticas
Escreveste em certas letras
tanto amor mal cabido,
tantas horas desperdiçadas,
em perpétuo sono mal dormido.
E espezinhaste tua felicidade.
Pisaste em solo arenoso, dúvidas.
Confessaste teu mal-estar.
Sem saber e outras vezes tão sabida.
Disseste tanto e tão pouco
da realidade pronunciada
Que em palavras nada se fez tempo
Nem fato. Apenas algoz.
Ilusão, sim, amalucadamente dita.
Temida em verso e prosa de nós,
Pensava ser verdade a leitura aflita.
Lia, pois, a decepção anunciada.
Que dirás agora?
Que nem sílabas cabem em ti.
De tão pequena, sem metáforas.
Quem sabe “se”, ou “mas”... ou "sim".
Difícil argumento sem poesia.
Concretude sagaz,
outrora experimentada.
Voltaste a ela e nela permanecerás.
Percebeste além, talvez,
Da vida a diversidade.
O que se constrói com tempo,
em poucos dias não se desfaz.
Ou com palavras.
E há o que não se constrói.
Em tuas linhas não lerás
(espero, nunca novamente)
ilusões e vontades.
Reza o bom poeta
que mentiras não têm lugar.
tanto amor mal cabido,
tantas horas desperdiçadas,
em perpétuo sono mal dormido.
E espezinhaste tua felicidade.
Pisaste em solo arenoso, dúvidas.
Confessaste teu mal-estar.
Sem saber e outras vezes tão sabida.
Disseste tanto e tão pouco
da realidade pronunciada
Que em palavras nada se fez tempo
Nem fato. Apenas algoz.
Ilusão, sim, amalucadamente dita.
Temida em verso e prosa de nós,
Pensava ser verdade a leitura aflita.
Lia, pois, a decepção anunciada.
Que dirás agora?
Que nem sílabas cabem em ti.
De tão pequena, sem metáforas.
Quem sabe “se”, ou “mas”... ou "sim".
Difícil argumento sem poesia.
Concretude sagaz,
outrora experimentada.
Voltaste a ela e nela permanecerás.
Percebeste além, talvez,
Da vida a diversidade.
O que se constrói com tempo,
em poucos dias não se desfaz.
Ou com palavras.
E há o que não se constrói.
Em tuas linhas não lerás
(espero, nunca novamente)
ilusões e vontades.
Reza o bom poeta
que mentiras não têm lugar.
O repleto
Amanhece.
E do vazio comum da aurora,
Abunda o repleto.
Prenúncio do fim da falta,
Espaços preenchidos,
útero, poros, coração.
Clara luz de arrepio,
ventígena luminosa
propaga-se misteriosamente
desenvolta no vácuo de mim.
Como fosse possível
resgatar-lhe o fôlego
onde já não havia (nem houve).
Ou roubar-lhe o oxigênio.
Ainda misteriosa,
Extorque e repõe novos ares.
Deixa-os novos ou ilude.
Que aos olhos do poeta,
é sempre amanhecer.
Brisa não recorre,
nem claridade.
O sol nasce outro
e novamente, outra vez.
E do vazio comum da aurora,
Abunda o repleto.
Prenúncio do fim da falta,
Espaços preenchidos,
útero, poros, coração.
Clara luz de arrepio,
ventígena luminosa
propaga-se misteriosamente
desenvolta no vácuo de mim.
Como fosse possível
resgatar-lhe o fôlego
onde já não havia (nem houve).
Ou roubar-lhe o oxigênio.
Ainda misteriosa,
Extorque e repõe novos ares.
Deixa-os novos ou ilude.
Que aos olhos do poeta,
é sempre amanhecer.
Brisa não recorre,
nem claridade.
O sol nasce outro
e novamente, outra vez.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Exercício
Porque gosto de poesia, penso sabê-la.
E escrevo com ou sem rimas.
Reverto sonetos em minhas palavras.
Palavras minhas em sonetos.
Penso escrever.
Perseguir leveza
Mesmo sem palavras.
Que na pobreza de minha língua (e só minha)
Reside alguma riqueza.
Do vivido, torto ou direito,
Bem para mim, mal a alguém,
Abundam, sobram poemas,
Voam versos.
Penso empiná-los feito pipa,
Sob domínio da razão e da métrica,
Na melodia de outro artista
Que simplesmente desconheço,
Esqueço a letra desta canção.
Memória despretensiosa,
Arguta de emoção (e sinceridade),
Esquece.
Mas declara.
Dispara o amor vivido,
Em letras mal escritas
Traços do inesperado,
Caminho para fora de si,
Caligrafia de sentimento,
Exercício de sanidade.
Expulsão da loucura, do tempo.
Expurgo das sombras, verdade.
E escrevo com ou sem rimas.
Reverto sonetos em minhas palavras.
Palavras minhas em sonetos.
Penso escrever.
Perseguir leveza
Mesmo sem palavras.
Que na pobreza de minha língua (e só minha)
Reside alguma riqueza.
Do vivido, torto ou direito,
Bem para mim, mal a alguém,
Abundam, sobram poemas,
Voam versos.
Penso empiná-los feito pipa,
Sob domínio da razão e da métrica,
Na melodia de outro artista
Que simplesmente desconheço,
Esqueço a letra desta canção.
Memória despretensiosa,
Arguta de emoção (e sinceridade),
Esquece.
Mas declara.
Dispara o amor vivido,
Em letras mal escritas
Traços do inesperado,
Caminho para fora de si,
Caligrafia de sentimento,
Exercício de sanidade.
Expulsão da loucura, do tempo.
Expurgo das sombras, verdade.
O ingênuo calculista
Não sei se calculista ou ingênuo
Me pediste de amor.
Porque sou sempre eu o poema
Nas histórias de inventar o amanhã.
É sempre meu o alvorecer.
Então me vejo bela cobiça
Insubstituível flor de um jardim repleto
- colhida de assalto, súbita flor.
Chegaste, roubando versos.
Escolheste palavras
Das mais rebuscadas à razão.
Convenceste.
Não sei se calculista ou ingênuo
Disseste de ti o amor (e compreendi sem pensar)
Que brotavam de ti tantos olhares.
Nítidas pupilas de canção.
Melodias de amor supus num piscar,
E letras compus tão sinceras.
Curtas, simples, diretas,
Opondo o intrincado
Discurso de teu coração.
Que em uma linha, muitas curvas e retas
Escondeu outras quimeras.
Paralelas.
Então não sei se calculista ou ingênuo
Fugiste de amor (ou para ele).
Que nasciam outras demandas,
Que não ardiam paixões juvenis.
Não foi a casa que quis.
Nem teu caminhar ao redor.
Era a parte de ti singela,
Que em mim alvorecia.
Melhor, bem melhor.
Não sei se calculista ou ingênuo
Buscaste novas poesias.
Regozijaste em novos jardins e flores.
Perseguiste o luar das camélias,
Renegaste as Amélias da vida.
Que na casa habitada de todo-dia
Não encontraste morada
Sem o perpétuo cansaço
Da vida tão sem metáforas.
Entendo-te em outros braços.
Perdôo teus outros amores.
Mas não o meu.
Não sei se ingênuo ou calculista,
Sinto que adoeceu.
Me pediste de amor.
Porque sou sempre eu o poema
Nas histórias de inventar o amanhã.
É sempre meu o alvorecer.
Então me vejo bela cobiça
Insubstituível flor de um jardim repleto
- colhida de assalto, súbita flor.
Chegaste, roubando versos.
Escolheste palavras
Das mais rebuscadas à razão.
Convenceste.
Não sei se calculista ou ingênuo
Disseste de ti o amor (e compreendi sem pensar)
Que brotavam de ti tantos olhares.
Nítidas pupilas de canção.
Melodias de amor supus num piscar,
E letras compus tão sinceras.
Curtas, simples, diretas,
Opondo o intrincado
Discurso de teu coração.
Que em uma linha, muitas curvas e retas
Escondeu outras quimeras.
Paralelas.
Então não sei se calculista ou ingênuo
Fugiste de amor (ou para ele).
Que nasciam outras demandas,
Que não ardiam paixões juvenis.
Não foi a casa que quis.
Nem teu caminhar ao redor.
Era a parte de ti singela,
Que em mim alvorecia.
Melhor, bem melhor.
Não sei se calculista ou ingênuo
Buscaste novas poesias.
Regozijaste em novos jardins e flores.
Perseguiste o luar das camélias,
Renegaste as Amélias da vida.
Que na casa habitada de todo-dia
Não encontraste morada
Sem o perpétuo cansaço
Da vida tão sem metáforas.
Entendo-te em outros braços.
Perdôo teus outros amores.
Mas não o meu.
Não sei se ingênuo ou calculista,
Sinto que adoeceu.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Novas formas.
O que são as formas senão metáforas do conteúdo?
São o que são, métrica e rima do concreto.
Expressam os aromas da vida, quando simples poesia.
Nova forma, talvez velhos cheiros, poemas.
Metáforas de viver o novo, relembrar o antigo.
Adiante, novos significados.
Posts antigos em http://metaforadeviver.zip.net/
São o que são, métrica e rima do concreto.
Expressam os aromas da vida, quando simples poesia.
Nova forma, talvez velhos cheiros, poemas.
Metáforas de viver o novo, relembrar o antigo.
Adiante, novos significados.
Posts antigos em http://metaforadeviver.zip.net/
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