terça-feira, 26 de agosto de 2008

O ingênuo calculista

Não sei se calculista ou ingênuo
Me pediste de amor.

Porque sou sempre eu o poema
Nas histórias de inventar o amanhã.
É sempre meu o alvorecer.
Então me vejo bela cobiça
Insubstituível flor de um jardim repleto
- colhida de assalto, súbita flor.
Chegaste, roubando versos.
Escolheste palavras
Das mais rebuscadas à razão.
Convenceste.

Não sei se calculista ou ingênuo
Disseste de ti o amor (e compreendi sem pensar)

Que brotavam de ti tantos olhares.
Nítidas pupilas de canção.
Melodias de amor supus num piscar,
E letras compus tão sinceras.
Curtas, simples, diretas,
Opondo o intrincado
Discurso de teu coração.
Que em uma linha, muitas curvas e retas
Escondeu outras quimeras.
Paralelas.

Então não sei se calculista ou ingênuo
Fugiste de amor (ou para ele).

Que nasciam outras demandas,
Que não ardiam paixões juvenis.
Não foi a casa que quis.
Nem teu caminhar ao redor.
Era a parte de ti singela,
Que em mim alvorecia.
Melhor, bem melhor.

Não sei se calculista ou ingênuo
Buscaste novas poesias.

Regozijaste em novos jardins e flores.
Perseguiste o luar das camélias,
Renegaste as Amélias da vida.
Que na casa habitada de todo-dia
Não encontraste morada
Sem o perpétuo cansaço
Da vida tão sem metáforas.
Entendo-te em outros braços.
Perdôo teus outros amores.
Mas não o meu.

Não sei se ingênuo ou calculista,
Sinto que adoeceu.

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