quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O repleto

Amanhece.
E do vazio comum da aurora,
Abunda o repleto.
Prenúncio do fim da falta,
Espaços preenchidos,
útero, poros, coração.
Clara luz de arrepio,
ventígena luminosa
propaga-se misteriosamente
desenvolta no vácuo de mim.
Como fosse possível
resgatar-lhe o fôlego
onde já não havia (nem houve).
Ou roubar-lhe o oxigênio.
Ainda misteriosa,
Extorque e repõe novos ares.
Deixa-os novos ou ilude.
Que aos olhos do poeta,
é sempre amanhecer.
Brisa não recorre,
nem claridade.
O sol nasce outro
e novamente, outra vez.

Um comentário:

Márcio Alexandre da Silva disse...

O eterno retorno nietzschiano esta presente nos nossos devaneios de madrugada, na prosa, poesia, vida e de vez em quando na filosofia (risos).
Jussara você é nietzschiana?